Alternativas e viáveis
Kamila Schneider
Imagine a cena: um homem bem arrumado, com roupas sociais, capacete e tornozeleira, andando de bicicleta em plena manhã de um dia de semana qualquer. Parece impossível, mas essa cena existe, pelo menos na vida do empresário Eldon Egon Jung. E nesse caso, é ele mesmo o homem de quem estamos falando.
O empresário blumenauense adotou a bicicleta como seu transporte “oficial” quase inconscientemente, quando resolveu deixar o carro em casa para sentir o prazer de pedalar até o trabalho. Tamanha paixão o levou para caminhos inesperados. Percebendo a dificuldade que os funcionários de sua empresa sentiam para se deslocar no trânsito movimentado de Blumenau, SC, Jung se juntou a outros empresários para criar a Associação Blumenauense pró-Ciclovias – ABC Ciclovias.
A entidade tem como objetivo desenvolver projetos e ações para melhorar o trânsito da cidade e instigar o uso de meios de transporte alternativos. Mas segundo Jung, para que as pessoas tenham vontade de modificar seus hábitos é preciso atuar em dois eixos, oferecendo infraestrutura e conhecimento. Uma coisa depende da outra.
“Primeiro, é preciso criar condições - não necessariamente ciclovias, mas rotas seguras, nas quais se tem garantia de que os veículos irão andar devagar. Para isso, a comunidade precisa estar consciente, mas se ela não está, cabe aos responsáveis se atualizarem e passarem essa informação”.
O primeiro projeto desenvolvido pela entidade prevê uma ciclovia de 150 quilômetros em Blumenau. Já se passaram 14 anos desde a sua elaboração e um terço da ciclovia está finalizado. Parece pouco, mas é o bastante para incentivar a criação de novos projetos. De acordo com Jung, existem centros urbanos na Europa que iniciaram a reestruturação de seus sistemas de transportes há mais de 40 anos e só agora estão concluindo as obras. “Um dia é preciso começar”, salienta.
Trilhos ao invés de estradas
Em Santa Catarina, o dia escolhido para começar esse movimento foi 24 de maio do ano passado. Não chega a ser o início de uma revolução no sistema de transporte, mas é uma opção que promete melhorar em muito esse setor Trata-se da ampliação e aperfeiçoamento do sistema ferroviário catarinense, projeto que contou com o apoio de diversas associações do Vale do Itajaí, Blumenau e região.
Jung explica que, entre as sugestões feitas pelas entidades, está a possibilidade de transportar cargas e passageiros pela linha ferroviária. Para ele, dessa forma seria possível desafogar o trânsitos de algumas rodovias, diminuir o custo do transporte para os trabalhadores e ainda criar uma nova opção de turismo no Estado, tendo em vista que o projeto inclui uma ferrovia litorânea.
No total, está prevista a construção de cerca de 1.200 quilômetros de ferrovias, indo de Imbituba a Araquari (litorânea) e Itajaí a Chapecó (leste-oeste), sendo que uma das solicitações foi ampliar o traçado da ferrovia leste-oeste até Dionísio Cerqueira. Agora, o projeto está em processo de captação de recursos para execução, explica Jung.
“Pedimos também que seja oferecido o transporte da bicicleta [pela ferrovia]. Paralela à ferrovia, queremos construir uma ciclovia, com uma proteção de árvores entre elas”, descreve o empresário, destacando que, se implantado, esse será um sistema pioneiro no país.
A princípio, Jung explica que a ciclovia não foi inclusa no projeto, sendo responsabilidade de cada município. “Em maio acontece um seminário com todos os municípios em que a ferrovia vai passar para conversar sobre o projeto”. Na ocasião, será discutida a viabilidade de ciclovia, com o objetivo de mobilizar os municípios a realizarem a obra, e detalhes sobre o projeto ferroviário. “Vai custar caro, mas talvez não tanto quanto custa para o país cada morte nas rodovias”, afirma Jung.
Matéria publicada na Revista Mercado Brasil, edição 82. Edição: Cristiano Escobar Maia. Arte: Roberto Lanznaster.
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